Auto-crítica APR-PDT






A tradição marxista é cercada por erros, acertos, entendimentos, desacordos e, sobretudo, divergências, mas todas tem algo em comum: a capacidade de realizar uma bela autocrítica. A ala prestista (não confundir com petista) e, de certa forma não oficialmente, Luís Carlos Prestes ingressaram no PDT em 1986, desde então, e até talvez antes disso, a evidencia de uma ala marxista no PDT nunca foi tão forte. Em 2020 uma boa carga de companheiros, muitos advindos de forças como o PCB, PCdoB, PCR e até o extinto PPL optaram por resgatar esta ala fundada por Prestes no PDT e fundaram o corajoso  Núcleo Popular Revolucionário, esse Núcleo foi vitima de ataques, boicotes e tentativas de expulsão por parte de uma ala direitista e personalista no partido, que rejeita tudo que é socialista. A leitura que nós, da APR (antes NPR), fizemos e permanecemos fazendo é que, em uma figura Social-Democrata e Nacional Desenvolvimentista como Ciro Gomes pode surgir a base de uma revolução socialista no Brasil, assim como o PCB devia ter feito com Vargas em 1930 e só se atentou a isso na década de 50. Acontece que não contávamos que, como todo politico, inclusive o Lula, Bolsonaro e por aí vai, Ciro Gomes é uma figura que é, e naturalmente deve ser disputada, e por chegarmos tarde, nós perdemos essa disputa justamente para uma ala reacionária, lavajatista e conservadora do PDT, a qual nos repudia e nos rejeita com veemência. 
Portanto, essa ala de centro-direita foi responsável direta, obviamente sob também fatores externos, para a derrota pífia de Ciro Gomes, que conseguiu o esforço de ficar atrás da candidata Simone Tebet. Nosso erro, foi bem óbvio: ao invés de tentar crescer como uma alternativa á esquerda ao lulopetismo, nos colocamos como uma alternativa, que apesar de possuir um programa anos-luz à esquerda, fazia uma campanha reacionária. Ao invés de criticarmos em Lula primeiramente a sua aliança quase de sangue com o rentismo, a sua omissão perante os quatro anos de governo Bolsonaro e o seu sistema de governo que sempre beneficiou os ricos e deu migalhas aos pobres (o que é considerado por parte da população muito), a campanha de Ciro Gomes focou em atacar pontos que colaboram com uma narrativa direitista e lavajatista como "o Lula foi preso" (que aliás, um dos poucos méritos recentes do Lula foi ter sido preso pela operação nojenta do juiz Sérgio Moro) ou "de onde vem o património declarado do Lula?" e por aí vai. Percebam que o eleitorado cirista, que sempre cobrou, de forma justa, a ausência de debates sobre projeto, até questionam os projetos (ou ausencia deles) do Lula, mas esse nunca foi o ponto principal do debate cirista, e sim a vontade de chama-lo de ladrão

É essencial entender aonde erramos para pensarmos sob uma nova ótica o que fazer agora, separei em alguns tópicos o passo a passo para que pensemos o próximo passo da esquerda trabalhista:
  • Eleger Lula Presidente e chutar o fascismo da política brasileira, não porque apoiamos as medidas de Lula, inclusive seremos oposição, mas para derrotar a ascensão da extrema-direita;
  • Cobrar, desde o primeiro dia de mandato, os parlamentares do PDT para  que votem sempre em defesa dos princípios estatutários do partido;
  • Se conseguirmos eleger Lula: cobrar que o PDT retorne as bases populares, construir os movimentos de base do partido;
  • Se Bolsonaro for eleito: mobilizar o máximo da classe operariar e iniciar um movimento de radicalização das massas, em extrema urgência;
    Breno Frossard, Secretário Geral da APR-PDT.

Postar um comentário

2 Comentários

  1. Perfeito, é necessário combater os elementos reacionários e direitistas abrigados no PDT. Trabalhismo sem Socialismo é apenas conciliação burguesa!

    ResponderExcluir